Idosos que tiveram AVC têm risco aumentado de infarto?

Estudos recentes mostram que idosos que sofreram AVC apresentam um risco significativamente maior de desenvolver infarto do miocárdio (IM) nos anos seguintes. Neste artigo, Dr. Fábio Lordelo (Cardiologista | CRM: 25261 | RQE 15220 e 26036)  e Dra. Lilian Carvalho (Geriatra | CRM: 11810 | RQE 6513 e 4613), explicam melhor esta relação.

A ciência explica

Um estudo de 2023 publicado na BMC Cardiovascular Disorders revela que a relação entre AVC e infarto em pacientes idosos está fortemente associada a fatores de risco compartilhados, como hipertensão, diabetes e aterosclerose.

Estudos como o FIRE trial também sugerem que em pacientes idosos com doença arterial coronariana multivascular, a revascularização completa pode ser benéfica para reduzir o risco de infarto e AVC, oferecendo um manejo mais eficaz em idosos com múltiplos fatores de risco

O que acontece com o coração?

Tanto o AVC quanto o infarto estão associados ao acúmulo de placas de gordura nas artérias (aterosclerose). Quando uma pessoa sofre um AVC isquêmico, é provável que a aterosclerose não esteja limitada às artérias cerebrais, mas também afete as coronárias, aumentando a chance de um infarto.

Após um AVC, o corpo entra em um estado de inflamação sistêmica, que pode desestabilizar as placas ateroscleróticas nas artérias do coração, favorecendo sua ruptura e, consequentemente, o infarto. A hipertensão, principal causa de AVC, também é o maior fator de risco para o infarto.

Em idosos, o controle inadequado da pressão arterial potencializa o risco de ambos os eventos. Depois um AVC, especialmente os mais graves, podem ocorrer alterações no ritmo cardíaco, como a fibrilação atrial, que eleva o risco de trombose e infarto.

O que pode ser feito para reduzir os riscos?

  • Controle rigoroso dos fatores de risco: pressão arterial, colesterol, glicemia e peso corporal.
  • Uso de medicamentos: anticoagulantes, antiplaquetários e estatinas podem ser indicados pelo seu médico.
  • Reabilitação e acompanhamento multidisciplinar: fisioterapia, nutrição e psicologia ajudam na recuperação global.
  • Atividade física supervisionada: melhora o fluxo sanguíneo e reduz a progressão da aterosclerose.

Se você ou alguém próximo já sofreu um AVC, procure um cardiologista para avaliar a saúde cardiovascular e prevenir novos eventos.

Blog | Dr. Fábio Lordelo

Sobre | Dr. Fábio Lordelo

Sou formado pela Universidade Estadual de Santa Cruz (Ilhéus- Bahia), que me ensinou os princípios da Medicina de Família e Comunidade e a valorização do ser humano como um todo: do aspecto biológico ao social. Durante a graduação, tive envolvimento com projetos de Extensão na comunidade, que fortaleceram minha paixão por cuidar, educar e ajudar a mudar realidades.

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Especialidade | Dr. Fábio Lordelo

O cardiologista é o médico que entende do coração. Voltada para o estudo, prevenção e tratamento das doenças do coração, a Cardiologia trata de doenças como Insuficiência Cardíaca, Miocardite, Arritmias, entre outras que atingem milhares de pessoas no mundo todo.

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Exames | Dr. Fábio Lordelo

As doenças cardiovasculares são a causa número 1 de morte em todo o mundo. Essas doenças do coração e dos vasos sanguíneos, incluem doença coronariana, doença cerebrovascular, doença cardíaca reumática e outras condições, são responsáveis por perdas prematuras de pessoas com menos de 70 anos de idade.

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