Nem todo infarto é igual!

Os tipos de infarto são classificados conforme o mecanismo e o contexto em que a lesão do músculo cardíaco ocorre. A classificação médica inclui os tipos 1, 2, 3, 4 e 5. Ela não substitui a avaliação dos sintomas, do eletrocardiograma e da troponina.

Troponina elevada, sozinha, indica lesão do miocárdio, mas nem sempre significa infarto. Para o diagnóstico, também deve existir evidência de falta de sangue e oxigênio no coração.

tipos de infarto do miocárdio

Quais são os tipos de infarto?

A classificação reúne mecanismos espontâneos, desequilíbrio de oxigênio, morte cardíaca antes da confirmação laboratorial e eventos relacionados a procedimentos coronarianos.

Infarto tipo 1: aterotrombose coronariana

O tipo 1 geralmente ocorre quando uma placa de aterosclerose se rompe ou sofre erosão. Isso favorece a formação de um coágulo dentro da artéria coronária e reduz o fluxo de sangue para o músculo cardíaco.

É o mecanismo mais lembrado quando se fala em infarto espontâneo.

Infarto tipo 2: desequilíbrio entre oferta e consumo de oxigênio

No tipo 2, não existe necessariamente um coágulo causado pela ruptura de placa. O problema é um desequilíbrio entre o oxigênio que chega ao coração e a necessidade do músculo cardíaco.

Esse cenário pode ocorrer, por exemplo, em arritmias importantes, anemia grave, baixa oxigenação, choque ou alterações intensas da pressão. O diagnóstico exige evidência de isquemia; troponina elevada por outra doença não deve ser automaticamente chamada de infarto tipo 2.

Infarto tipo 3: morte cardíaca antes da confirmação laboratorial

O tipo 3 é considerado quando ocorre morte cardíaca com sintomas ou alterações eletrocardiográficas sugestivas de isquemia. Nessa situação, a troponina ainda não pôde ser coletada ou não houve tempo para documentar sua elevação.

Infarto tipo 4: relacionado à intervenção coronariana

O tipo 4 está relacionado à intervenção coronariana percutânea, como a angioplastia:

  • Tipo 4a: associado ao procedimento de angioplastia.
  • Tipo 4b: relacionado à trombose de stent.
  • Tipo 4c: relacionado à reestenose, quando existe novo estreitamento no local tratado.

Essas definições usam critérios específicos de troponina e evidência de isquemia. Por isso, não devem ser aplicadas apenas pela presença de dor após o procedimento.

Infarto tipo 5: relacionado à cirurgia de revascularização

O tipo 5 está associado à cirurgia de revascularização do miocárdio. Assim como no tipo 4a, existem critérios laboratoriais e clínicos próprios para diferenciar lesão esperada do procedimento de um infarto.

Tipos 1 a 5 são a mesma coisa que infarto com ou sem supra?

Não. A divisão entre infarto com elevação do segmento ST e sem elevação do segmento ST descreve a apresentação no eletrocardiograma. Ela ajuda a organizar a abordagem inicial. Os tipos 1 a 5 descrevem o mecanismo ou o contexto do infarto.

As duas classificações podem ser usadas no mesmo paciente, mas respondem a perguntas diferentes.

Por que a classificação é importante?

O tratamento depende da causa. Um coágulo após ruptura de placa, uma anemia grave, uma trombose de stent e uma complicação cirúrgica não são manejados da mesma maneira. A classificação correta evita conclusões baseadas apenas em um valor de troponina.

Independentemente do tipo, dor ou pressão no peito, falta de ar, suor frio, náusea ou desmaio exigem atenção. Na suspeita de infarto, ligue para o SAMU 192.

Leia também sobre os sinais de infarto e o que fazer diante da suspeita.

Perguntas frequentes

Troponina alta sempre significa infarto?

Não. A troponina indica lesão do músculo cardíaco. O diagnóstico de infarto também exige evidência de isquemia e análise do contexto clínico.

Qual é o tipo mais comum?

O tipo 1 é o mecanismo clássico associado à ruptura ou erosão de uma placa de aterosclerose e formação de trombo coronariano.

O tipo do infarto pode ser definido apenas pelo eletrocardiograma?

Não. O eletrocardiograma é fundamental, mas a classificação considera mecanismo, troponina, exames de imagem, angiografia e contexto clínico.

Fontes consultadas

Conteúdo educativo. A classificação do infarto depende de avaliação médica e exames.

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Sobre | Dr. Fábio Lordelo

Sou formado pela Universidade Estadual de Santa Cruz (Ilhéus- Bahia), que me ensinou os princípios da Medicina de Família e Comunidade e a valorização do ser humano como um todo: do aspecto biológico ao social. Durante a graduação, tive envolvimento com projetos de Extensão na comunidade, que fortaleceram minha paixão por cuidar, educar e ajudar a mudar realidades.

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